PROJETO HERÓIS:

 CAPELANIA, LUDICIDADE E HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR

NO ACOLHIMENTO EMOCIONAL DE CRIANÇAS EM TRATAMENTO HOSPITALAR

Artigo científico em formato ABNT, 

versão documental preliminar validada

Professor Douglas Alves

Uberlândia

2026

 

RESUMO

Este artigo analisa o Projeto Heróis como iniciativa social e humanitária orientada ao acolhimento emocional de crianças em tratamento hospitalar, especialmente por meio da presença simbólica do personagem Homem-Aranha, da articulação com princípios de capelania e da busca por protocolos de atuação compatíveis com instituições de saúde. Trata-se de estudo qualitativo, documental e exploratório, elaborado a partir de materiais internos disponíveis no Google Drive, registros de reunião, design institucional localizado no Canva, dados autobiográficos e informações complementares declaradas pelo proponente. O corpus documental indica que o Projeto Heróis não deve ser reduzido à figura individual de seu fundador, mas compreendido como proposta de formação de representantes, embaixadores e voluntários capazes de atuar com cuidado, espiritualidade, ludicidade, comunicação e respeito às normas hospitalares. A revisão desta versão adotou critério de validação conservador: foram incorporadas apenas informações verificadas nos documentos internos já localizados, dados expressamente declarados pelo fundador ou referências bibliográficas consolidadas sobre humanização, brincar hospitalar e espiritualidade em saúde. As fontes sugeridas que não puderam ser confirmadas nesta etapa foram registradas como pendências, não como evidência científica principal. Os resultados apontam quatro dimensões centrais: a humanização hospitalar, a capelania como cuidado espiritual não substitutivo da assistência clínica, a ludicidade como linguagem de esperança e a necessidade de governança institucional para registro, treinamento, autorização, segurança e avaliação de impacto. O artigo não afirma efeitos clínicos próprios, cura, redução de dor, alterações hormonais ou benefícios terapêuticos mensuráveis diretamente pelo projeto, pois ainda não foram localizadas evidências empíricas próprias da iniciativa. Conclui-se que o Projeto Heróis apresenta potencial como tecnologia social de acolhimento, desde que avance na formalização documental, na pactuação com hospitais, na construção de indicadores e na produção de relatórios éticos e auditáveis.

Palavras-chave: Projeto Heróis. Capelania. Humanização hospitalar. Ludicidade. Crianças hospitalizadas.

 

ABSTRACT

This article examines Projeto Heróis as a social and humanitarian initiative focused on emotional support for hospitalized children, especially through the symbolic presence of the Spider-Man character, the articulation with chaplaincy principles, and the search for protocols compatible with healthcare institutions. This is a qualitative, documentary, and exploratory study based on internal Google Drive materials, meeting notes, institutional Canva content, autobiographical data, and additional information declared by the project proponent. The documentary corpus suggests that Projeto Heróis should not be reduced to the individual figure of its founder, but understood as a proposal for training representatives, ambassadors, and volunteers capable of acting with care, spirituality, playfulness, communication, and respect for hospital rules. This revised version adopted a conservative validation criterion: it incorporated only information found in previously located internal documents, data expressly declared by the founder, or consolidated bibliographic references on humanization, hospital play, and spirituality in healthcare. Suggested sources that could not be confirmed at this stage were registered as pending, not as main scientific evidence. The results point to four core dimensions: hospital humanization, chaplaincy as spiritual care that does not replace clinical assistance, playfulness as a language of hope, and the need for institutional governance for registration, training, authorization, safety, and impact assessment. The article does not claim project-specific clinical effects, healing, pain reduction, hormonal changes, or measurable therapeutic benefits, as no project-specific empirical evidence has yet been located. It concludes that Projeto Heróis has potential as a social technology of care, provided that it advances in formal documentation, hospital agreements, indicator definition, and ethical reporting.

Keywords: Projeto Heróis. Chaplaincy. Hospital humanization. Playfulness. Hospitalized children.

 

1 INTRODUÇÃO

A hospitalização infantil altera de modo profundo a rotina da criança, da família e da equipe de cuidado. Em contextos de tratamento prolongado, especialmente quando há doenças graves, a criança pode vivenciar medo, estranhamento, perda de autonomia, dor, ruptura escolar, saudade do ambiente doméstico e sensação de isolamento. Nessa paisagem, a técnica médica permanece central, mas não encerra todas as necessidades humanas que emergem no leito, no corredor, na sala de espera e na memória familiar. O cuidado integral exige que a instituição de saúde reconheça o sujeito antes da doença, a história antes do prontuário e a dignidade antes do procedimento. A humanização hospitalar nasce justamente nesse intervalo ético entre tratar e acolher.

O Projeto Heróis, conforme os documentos analisados, é apresentado como iniciativa social e humanitária fundada pelo Professor Douglas Alves, voltada ao acolhimento emocional de crianças em tratamento hospitalar. Em material institucional localizado no Canva, o projeto é descrito como ação em que o fundador, caracterizado como Homem-Aranha, realiza atividades planejadas para levar esperança, alegria e conforto a crianças e familiares durante períodos delicados de internação e tratamento, sempre respeitando protocolos, normas institucionais e orientações médicas de cada hospital (CANVA, 2026). Essa descrição permite compreender o projeto como prática de presença simbólica: uma intervenção não clínica, não medicamentosa e não substitutiva do trabalho da equipe de saúde, mas orientada à criação de vínculo, leveza e esperança.

A metáfora do herói possui força comunicacional porque desloca a criança da posição de paciente passivo para a posição de protagonista de uma travessia. O personagem que chega ao hospital não carrega apenas fantasia, máscara ou roupa temática. Ele carrega uma narrativa. Em vez de centralizar a doença, a narrativa do herói reposiciona a criança como alguém que enfrenta fases difíceis, mobiliza coragem, recebe aliados e pode experimentar instantes de alegria mesmo em ambiente atravessado por medo. Esse tipo de linguagem não deve ser romantizado nem apresentado como solução clínica. A fantasia não elimina a dor. Todavia, a experiência simbólica pode abrir uma fresta de respiro, e por essa fresta entram conversa, escuta, riso, oração quando autorizada, silêncio respeitoso e presença.

O corpus documental também demonstra que o Projeto Heróis está conectado à trajetória pessoal e profissional de Douglas Alves. O proponente se apresenta como Professor Douglas Alves, mentor em desenvolvimento digital, fundador da Smart Digital e comunicador com atuação em marketing, negócios digitais e educação com propósito. Em dados autobiográficos fornecidos pelo próprio autor, constam formação em Administração, especialização em Atendimento ao Cliente, Gestão de Pessoas pela UFU, MBA em Business pela Florida Must University, formação em capelania nos Estados Unidos, experiência empresarial com CNPJ ativo há 15 anos e identidade cristã. Essas informações são usadas como dados de autoria, trajetória e memória institucional, não como comprovação documental de títulos acadêmicos além do que foi informado pelo proponente.

Em atualização complementar, o fundador informou que o Projeto Heróis nasceu em 2018, depois de um grande desafio pessoal e profissional, sintetizado pela afirmação: “quem reparte fica com a melhor parte”. Informou também que a atuação média em Uberlândia é de aproximadamente uma ação por mês, com alcance estimado de cerca de 303 famílias, especialmente famílias de crianças em tratamento oncológico. Esses dados foram agregados ao artigo como informação declarada pelo fundador e devem ser futuramente acompanhados de planilha de ações, autorizações, registros internos e anexos comprobatórios.

A dimensão da capelania aparece de modo relevante no material levantado. Há uma pasta no Drive intitulada “[CO] CAPELANIA PROJ HEROIS”, criada em 2026, além de documentos sobre capelania cristã que descrevem a capelania como vocação de propósito e preparação para servir com diplomacia e eficiência (ALVES, 2026a; SMART, 2024). Também há registro de que a equipe, em 23 de junho de 2026, consolidou documentos sobre o projeto de capelania utilizando inteligência artificial e decidiu que a redação do artigo científico deveria seguir normas técnicas da instituição (ALVES, 2026a). Portanto, este texto nasce de uma demanda concreta do próprio processo de organização do Projeto Heróis: transformar uma prática de impacto social em documento acadêmico preliminar, apto a orientar diálogo institucional, melhoria interna e futuras parcerias.

O problema de pesquisa que orienta este artigo é: de que modo o Projeto Heróis pode ser compreendido, a partir de seus documentos internos e de literatura consolidada sobre humanização, brincar e espiritualidade em saúde, como prática de humanização hospitalar integrada à capelania, à ludicidade e à governança institucional? O objetivo geral consiste em analisar a proposta do Projeto Heróis como tecnologia social de acolhimento emocional em contexto hospitalar. Como objetivos específicos, busca-se: descrever os elementos centrais localizados no corpus documental; relacionar o projeto aos fundamentos de humanização, brincar e cuidado espiritual; identificar lacunas documentais; e propor diretrizes para amadurecimento ético, operacional e científico da iniciativa.

A relevância do tema se justifica por três razões. Primeiro, hospitais que atendem crianças em tratamento prolongado demandam ações de cuidado que dialoguem com a subjetividade, a família e a esperança, sem competir com a assistência médica. Segundo, projetos sociais baseados em personagens, voluntariado e espiritualidade precisam de protocolos claros para não dependerem apenas da boa intenção de seus fundadores. Terceiro, o Projeto Heróis deseja dialogar com instituições, e toda ponte institucional precisa de documentação confiável. Boa intenção sem método pode se perder no corredor. Método sem amor pode virar formulário frio. O desafio é unir os dois.

 

 2 METODOLOGIA

O presente estudo é qualitativo, documental e exploratório. A opção pelo desenho documental decorre da natureza da solicitação: pesquisar materiais já existentes sobre o Projeto Heróis no Drive, no Canva e em fontes digitais indicadas pelo proponente, sem inventar informações ausentes. Foram examinados registros internos localizados por busca no Google Drive com os termos “Heróis”, “Projeto Heróis”, “PROJ HEROIS”, “capelania”, “capelão”, “Hospital Câncer Heróis”, “SBT Heróis” e “Homem-Aranha”. Também foi pesquisado o Canva conectado, no qual se localizou um design intitulado “Projeto Heróis”, com nove páginas e texto institucional resumido (CANVA, 2026).

O corpus principal foi composto por cinco tipos de documentos. O primeiro foi a transcrição intitulada “TREINAMENTO PROJETO HEROIS DOUGLAS E MARIA RITA – 07-02-2026”, que registra reunião iniciada em 06h27, com participantes da comunidade Smart e abordagem das quatro bases do método Smart: desbloqueio, visibilidade, comunicação e conversão (ALVES; PUPO, 2026). O segundo foi o design “Projeto Heróis”, localizado no Canva, que define a iniciativa como projeto social e humanitário voltado ao acolhimento emocional de crianças em tratamento hospitalar (CANVA, 2026). O terceiro foi a anotação de reunião “Sala Individual Professor Douglas Alves – 2026/06/23 13:35”, na qual a equipe definiu estratégia do Projeto Heróis, consolidou documentos sobre capelania e estabeleceu tarefas de coleta de material em Instagram, redes sociais, grupos de WhatsApp e matéria do SBT (ALVES, 2026a). O quarto foi a anotação da “AULA SRT MARKETING ESTRATÉGICO – 2026/06/23 06:25”, que registra falas sobre atuação social no hospital de Uberlândia, convite de Araguari e necessidade de artigo em formato semelhante a TCC para diálogo com instituições hospitalares (ALVES, 2026b). O quinto foi o documento “Smart pitch Black Friday 2025”, que menciona o Projeto Heróis como ação de entrada caracterizada como Homem-Aranha para abraçar criança em tratamento de câncer, além de indicar link de vídeo relacionado ao SBT em formato de reel do Instagram (ALVES, 2025).

Como material complementar, foram considerados documentos sobre capelania cristã, especialmente a “Brochura” e o “Modelo página smart”, que abordam planejamento estratégico de capelania, curso de capelania cristã, desenvolvimento de materiais, cartilha de capelão e proposta de expansão (SMART, 2024; OMCC, 2024). Esses documentos não comprovam, por si, a atuação específica do Projeto Heróis em hospitais, mas contribuem para compreender o vocabulário espiritual, formativo e institucional que cerca o projeto.

Foram também utilizadas referências bibliográficas sobre humanização, brincar e cuidado espiritual. A Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde fornece base conceitual para pensar o acolhimento e a valorização dos sujeitos nos serviços de saúde (BRASIL, 2013). A Lei n. 11.104/2005 é pertinente por tratar da obrigatoriedade de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação (BRASIL, 2005). A literatura sobre brincar em contexto de hospitalização infantil sustenta que atividades lúdicas podem favorecer expressão, vínculo e elaboração simbólica, desde que integradas ao cuidado e respeitosas à condição da criança (MITRE; GOMES, 2004). Já a literatura sobre espiritualidade em saúde e cuidado paliativo aponta que necessidades espirituais podem fazer parte do cuidado integral, desde que abordadas com respeito, competência, consentimento e sensibilidade cultural (PUCHALSKI et al., 2009; KOENIG, 2012).

A atualização enviada pelo proponente mencionou novos estudos e exemplos institucionais, incluindo Revista Brasileira de Cancerologia, Brinquedo Terapêutico Dramático, Teoria do Imaginário de Gilbert Durand, ações com super-heróis em alas oncológicas pediátricas, A.C.Camargo, UFMG e Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo. Como a solicitação foi “agregar somente o que for verdade”, esta versão adota critério conservador: tais itens não foram incorporados como evidência científica principal quando não houve confirmação documental suficiente nesta etapa. Foram preservados em apêndice como fontes a verificar, para futura inclusão mediante PDF, DOI, link institucional, print datado ou artigo completo.

A análise foi realizada por leitura temática. As evidências foram agrupadas em quatro eixos: definição institucional do projeto; capelania e identidade do fundador; ludicidade, personagem e humanização; governança, treinamento e indicadores. Não houve entrevista com crianças, familiares, profissionais de saúde ou voluntários. Não houve coleta de dados sensíveis em hospitais. Não houve aplicação de questionário, observação participante ou mensuração de impacto. Por isso, as conclusões não têm natureza experimental. O artigo descreve e interpreta documentos. Qualquer afirmação sobre resultados clínicos exigirá estudo futuro aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa, com consentimento, instrumentos adequados e proteção integral de crianças e famílias.

As páginas públicas indicadas pelo proponente foram registradas nesta versão como fontes informadas, especialmente a página oficial do Projeto Heróis e o reel do Instagram. Contudo, nesta etapa, o conteúdo desses links não substitui documentos internos, autorizações formais ou relatórios auditáveis. Para a versão definitiva, recomenda-se anexar capturas datadas, cópia da matéria do SBT, autorização de uso institucional e comprovantes de publicação, evitando que o artigo dependa apenas de links sujeitos a instabilidade, remoção ou alteração.

 

3 O PROJETO HERÓIS COMO TECNOLOGIA SOCIAL DE ACOLHIMENTO

A expressão “tecnologia social” é adequada para compreender o Projeto Heróis porque o projeto articula método, linguagem, voluntariado, comunicação e propósito em torno de um problema social: o sofrimento emocional de crianças e familiares durante o tratamento hospitalar. Não se trata de tecnologia no sentido restrito de aplicativo, equipamento ou automação, embora documentos recentes também apontem preocupações operacionais com WhatsApp, identidade visual e fluxo de trabalho. Trata-se de tecnologia relacional, isto é, uma forma organizada de produzir presença, vínculo e sentido.

O design localizado no Canva é o documento mais direto sobre a identidade do projeto. Ele afirma que o Professor Douglas Alves é fundador do Projeto Heróis e descreve a iniciativa como social e humanitária. O texto registra que Douglas, caracterizado como Homem-Aranha, realiza ações planejadas para levar esperança, alegria e conforto a crianças e familiares durante internação e tratamento, respeitando protocolos, normas institucionais e orientações médicas de cada hospital (CANVA, 2026). Essa formulação é estratégica porque diferencia o projeto de entretenimento informal. Há uma promessa de planejamento e respeito institucional. O personagem entra no hospital, mas não entra como improviso. Entra, ou deve entrar, como ação autorizada.

Na transcrição de 07 de fevereiro de 2026, Douglas afirma que uma imagem apresentada era figurada, trabalhada, mas baseada em fatos reais, e associa essa imagem ao Projeto Heróis. Na mesma fala, ele convoca participantes para treinamento do projeto, previsto das 8h30 às 11h30, logo após o estudo bíblico, com foco em formar representante, embaixador e treinador do Projeto Heróis na sociedade (ALVES; PUPO, 2026). Esse trecho é fundamental porque desloca o projeto do campo do gesto individual para o campo da formação coletiva. Se há embaixadores, há necessidade de critérios. Se há representantes, há necessidade de conduta. Se há treinadores, há necessidade de currículo, supervisão e avaliação.

A presença de Maria Rita Pupo no treinamento e a menção à necessidade de conhecimento de enfermagem indicam uma preocupação inicial com segurança e adequação à realidade hospitalar (ALVES; PUPO, 2026). Esse ponto deve ser aprofundado. Em hospitais, o voluntário não pode atuar apenas guiado por emoção. É necessário compreender higienização, controle de infecção, limites de visita, privacidade, autorização de imagem, horários, contraindicações de contato, uso de objetos, circulação em ambientes restritos e comunicação com equipe multiprofissional. O super-herói precisa de capa, mas também precisa de protocolo.

O Projeto Heróis também aparece conectado ao Hospital de Uberlândia e a possibilidades de expansão. Em anotação de aula de 23 de junho de 2026, há registro de fala segundo a qual Douglas já realiza trabalho social no hospital de Uberlândia e teria recebido convite de Araguari. O mesmo registro afirma que a Smart estaria no Hospital de Clínicas de Uberlândia na figura de “Seu Nilson”, enfeitando o hospital, e que Douglas não é o projeto inteiro, mas o personagem Homem-Aranha que ajuda o Projeto Heróis (ALVES, 2026b). Em atualização declarada pelo fundador, o campo autorizado de atuação já inclui o Hospital de Clínicas de Uberlândia e famílias de crianças em tratamento oncológico, com média aproximada de uma ação por mês em Uberlândia e alcance estimado de cerca de 303 famílias. Essa distinção é madura: quando o fundador reconhece que não é o projeto, abre espaço para institucionalização.

A menção a Araguari sugere potencial de replicabilidade regional, mas essa expansão requer cautela. Cada hospital possui cultura, normas, riscos e fluxos próprios. A mesma fantasia que emociona uma criança em determinado contexto pode não ser adequada para outra em isolamento, pós-operatório, dor intensa ou condição imunológica delicada. Por isso, o Projeto Heróis deve operar com autorização prévia e plano de visita pactuado. A ação ideal deve ser construída com a instituição, não apenas oferecida à instituição. O hospital não pode ser cenário para o projeto. O hospital é território de cuidado, e quem entra nele precisa entrar como hóspede ético.

 

4 CAPELANIA, BIOGRAFIA E CUIDADO ESPIRITUAL

A capelania, no contexto deste artigo, é compreendida como prática de cuidado espiritual, escuta, presença e apoio em situações de sofrimento. Ela não substitui psicologia, medicina, enfermagem, serviço social ou assistência religiosa formal da instituição. A boa capelania não invade; oferece. Não pressiona; acompanha. Não transforma dor alheia em palco; protege o sagrado da experiência humana. Essa distinção é necessária porque o Projeto Heróis possui identidade cristã em sua matriz, mas atua em ambiente público e plural, onde crianças e famílias podem pertencer a diferentes tradições religiosas ou não desejar abordagem espiritual explícita.

Nos documentos localizados, a capelania aparece como dimensão formativa e institucional. A pasta “[CO] CAPELANIA PROJ HEROIS” indica organização específica do tema dentro do Drive. A reunião de 23 de junho de 2026 registrou que a equipe consolidou documentos sobre o projeto de capelania utilizando inteligência artificial e decidiu elaborar artigo científico segundo normas técnicas (ALVES, 2026a). O “Modelo página smart” descreve a capelania como vocação extraordinária e oportunidade de exercer propósito cristão por meio de Curso de Capelania Cristã da Organização Mundial de Capelães e de Capelanias, sediada nos Estados Unidos, com preparação para desenvolver capelanias com diplomacia e eficiência (SMART, 2024). A “Brochura” da OMCC menciona planejamento estratégico de capelania, construção de capelania permanente com suporte contínuo, desenvolvimento de materiais bônus, cartilha oficial do capelão, princípios cristãos e proposta de expansão (OMCC, 2024).

A biografia do Professor Douglas Alves dialoga com essa dimensão. Pelos dados autobiográficos informados pelo próprio autor, Douglas é bacharel em Administração, especialista em Atendimento ao Cliente, possui formação em Gestão de Pessoas pela UFU, MBA em Business pela Florida Must University, formação em capelania nos Estados Unidos e trajetória de 15 anos como empresário com CNPJ ativo. Também se apresenta como filho do Pai Celestial e mentor em desbloqueio digital. Em atualização complementar, foi informado que o projeto opera vinculado ao CNPJ 15.271.451/0001-30 e que há intenção de criação futura de instituto próprio para o Projeto Heróis. Essa biografia, quando associada ao Projeto Heróis, sugere uma intersecção entre gestão, comunicação, fé, educação, atendimento e ação social.

A literatura sobre espiritualidade em saúde reforça que necessidades espirituais podem emergir de modo intenso em situações de doença, sofrimento, finitude ou medo. Puchalski et al. (2009) defendem que o cuidado espiritual deve ser dimensão da atenção integral, especialmente em cuidados paliativos, mas não como imposição religiosa. Koenig (2012) revisa relações entre religião, espiritualidade e saúde e destaca que o tema precisa ser abordado com método, responsabilidade e discernimento. Para o Projeto Heróis, isso significa que oração, palavra de fé, leitura bíblica ou gesto devocional só devem ocorrer quando houver abertura, consentimento e compatibilidade com a política institucional. Em alguns momentos, a ação mais espiritual será simplesmente ficar em silêncio ao lado de uma família.

A denominação institucional indicada pelo proponente é “Capelania Projeto Heróis”. Essa escolha preserva a identidade cristã do projeto, mas deve ser acompanhada de linguagem pública suficientemente clara para hospitais, famílias e equipes multiprofissionais. O voluntário precisa compreender que capelania, nesse contexto, é serviço de presença e acolhimento. A formação de dois dias pode funcionar como porta de entrada, desde que inclua conteúdos mínimos de ética, biossegurança, limites da abordagem espiritual, comunicação com famílias, proteção de imagem e respeito às orientações da equipe de saúde.

A capelania do Projeto Heróis pode ser estruturada em três níveis. O primeiro é o nível da presença: o voluntário chega sem exigir nada, escuta, acolhe, sorri e respeita o momento da criança. O segundo é o nível da linguagem simbólica: o personagem Homem-Aranha funciona como ponte lúdica para diminuir barreiras e facilitar a conversa. O terceiro é o nível espiritual explícito: quando autorizado, o capelão ou voluntário capacitado pode oferecer oração, palavra de esperança ou apoio pastoral, sempre sem promessa de cura e sem interferir na assistência médica. Essa arquitetura protege a criança, a família, o hospital e o próprio projeto.

 

5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: HUMANIZAÇÃO, BRINCAR E LUDICIDADE

5.1 Humanização hospitalar e ambiência

A Política Nacional de Humanização, conhecida como HumanizaSUS, oferece eixo teórico para interpretar práticas que valorizam sujeitos, vínculos, acolhimento, corresponsabilidade e melhoria da ambiência nos serviços de saúde (BRASIL, 2013). Em um projeto como o Heróis, essa base é especialmente importante porque impede que a ação seja compreendida apenas como entretenimento. O foco não é “animar” o hospital de forma superficial, mas favorecer uma experiência de cuidado que reconheça crianças, famílias e profissionais como sujeitos afetados pela doença e pelo processo de tratamento.

A humanização, nesse sentido, não é um adorno sentimental da técnica. É uma orientação ética que busca integrar qualidade assistencial, comunicação, escuta e dignidade. Uma visita lúdica mal planejada pode interromper rotinas, gerar exposição indevida e aumentar risco. Uma visita pactuada, ao contrário, pode funcionar como dispositivo de acolhimento, desde que respeite horários, fluxos, restrições clínicas, vontade da criança e orientação da equipe. Por isso, a dimensão humanizadora do Projeto Heróis depende menos da fantasia em si e mais da maneira como ela é introduzida no ambiente institucional.

A Lei n. 11.104/2005 também é relevante para a fundamentação, pois estabelece a obrigatoriedade de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação (BRASIL, 2005). Ainda que o Projeto Heróis não se confunda com brinquedoteca hospitalar, a lei reconhece, no plano jurídico, a importância do brincar no cuidado pediátrico. O brincar deixa de ser um luxo e passa a integrar o ambiente esperado de uma instituição que atende crianças internadas.

5.2 Brincar, expressão e enfrentamento simbólico

A literatura sobre brincar no contexto da hospitalização infantil sustenta que o lúdico pode favorecer expressão subjetiva, elaboração simbólica e criação de vínculo (MITRE; GOMES, 2004). Crianças hospitalizadas não vivem apenas um processo biológico; vivem também uma experiência de ruptura de rotina, afastamento de amigos, medo de procedimentos e convivência com ambientes desconhecidos. O brincar pode oferecer uma linguagem intermediária entre o silêncio e o discurso adulto. Por meio dele, a criança manifesta medo, curiosidade, resistência, alegria e desejo de continuar sendo criança apesar da doença.

No Projeto Heróis, a figura do Homem-Aranha atua como mediação lúdica. A escolha do personagem possui potência narrativa porque o Homem-Aranha, no imaginário popular, é associado a responsabilidade, vulnerabilidade, humor, queda e recomeço. Contudo, o artigo evita afirmar, sem estudo próprio, que esse personagem produza redução mensurável de dor, cortisol, adrenalina ou alteração imunológica. Tais hipóteses podem ser investigadas em etapa futura, mas não são tratadas como resultados do Projeto Heróis nesta versão. A linguagem científica exige parcimônia: o que se pode afirmar é que o personagem funciona como estratégia simbólica de aproximação e acolhimento, conforme os documentos internos e a literatura geral sobre brincar hospitalar.

O documento “Smart pitch Black Friday 2025” descreve o Projeto Heróis em linguagem de comunicação e menciona a cena de abraçar uma criança em tratamento de câncer e ver um sorriso onde antes havia medo (ALVES, 2025). Embora esse trecho tenha tom de copy e não de relatório científico, ele revela a força afetiva que sustenta a iniciativa. A função deste artigo é traduzir essa força em linguagem institucional, sem esvaziar o sentido humano e sem transformar emoção em promessa terapêutica não comprovada.

5.3 Sobre brinquedo terapêutico, super-heróis e fontes sugeridas

A versão sugerida pelo proponente citou Brinquedo Terapêutico Dramático, Revista Brasileira de Cancerologia e estudo de caso baseado na Teoria do Imaginário de Gilbert Durand sobre voluntários vestidos de super-heróis em alas oncológicas pediátricas. Esses temas são compatíveis com o campo do projeto, mas a presente revisão não incorporou esses estudos como evidência principal por falta de validação documental suficiente nesta etapa. A recomendação técnica é anexar o PDF do artigo, DOI, link institucional, resumo bibliográfico completo e, quando possível, comprovante de indexação. Depois disso, os estudos poderão ser incorporados com segurança.

Também foram mencionados exemplos de instituições e ações com super-heróis em oncologia pediátrica. Esses exemplos podem enriquecer a discussão comparativa, mas precisam ser documentados por fontes oficiais ou publicações revisadas. Sem essa confirmação, o texto não deve apresentar programas externos como evidência científica ou benchmark consolidado. O compromisso central do artigo é proteger a credibilidade do Projeto Heróis. Uma referência bonita, se não for verificável, vira enfeite de papel. Uma referência validada, ainda que simples, vira tijolo na construção institucional.

Dessa forma, esta versão adota uma posição metodológica clara: reconhece a pertinência dos temas sugeridos, mas os desloca para o apêndice de pendências até que a documentação seja anexada. A ciência não perde poesia quando recusa exagero; ela apenas coloca a poesia em chão firme.

 

6 GOVERNANÇA, TREINAMENTO E PROTOCOLOS

A reunião de 23 de junho de 2026 demonstra que a equipe já percebeu a necessidade de organização. O resumo registra definição de estratégia do Projeto Heróis, estruturação de operações técnicas para automação de WhatsApp, consolidação de documentos sobre capelania e decisão de seguir normas técnicas para o artigo científico (ALVES, 2026a). Nas próximas etapas, Cida Olivares aparece responsável por separar material do Projeto Heróis, reunindo conteúdos do Instagram, redes sociais, grupos de WhatsApp e matéria do SBT; também aparece a tarefa de elaborar artigo científico consolidando informações do Drive e do site. Elaine Souza aparece com a tarefa de atualizar a página do Projeto Heróis, resgatando página de remarketing e adicionando novas imagens e vídeos institucionais (ALVES, 2026a).

Essas tarefas apontam para uma etapa de transição. O projeto está saindo da fase heroica individual e entrando na fase documental. Essa passagem é decisiva. Enquanto uma ação depende apenas do fundador, ela pode acontecer com carisma. Quando passa a envolver equipe, hospitais, crianças, redes sociais, capelania, imagem e voluntários, precisa de governança. Governança, aqui, não significa burocracia que engessa o amor. Significa trilho para que o trem da boa intenção não descarrile.

Recomenda-se que o Projeto Heróis organize um manual operacional com, no mínimo, dez componentes. Primeiro, apresentação institucional com missão, visão, valores e limites. Segundo, critérios de participação de voluntários, incluindo antecedentes, idade mínima, compromisso ético e treinamento obrigatório. Terceiro, protocolo de entrada em hospitais, com autorização formal, contato responsável, horários, setores permitidos e fluxos de identificação. Quarto, protocolo de biossegurança, elaborado ou validado por profissional de saúde. Quinto, termo de autorização de uso de imagem, com opção clara de não autorização e regra de não exposição de crianças sem consentimento formal. Sexto, protocolo de capelania, com diretrizes sobre consentimento, respeito inter-religioso e limites da oração. Sétimo, roteiro de visita lúdica, com linguagem adequada, duração, abordagem inicial e sinais de interrupção. Oitavo, formulário de registro pós-visita, sem dados clínicos sensíveis desnecessários. Nono, indicadores de processo e percepção. Décimo, plano de formação continuada.

A atualização fornecida pelo proponente acrescenta duas regras de alta relevância: a atuação deve ocorrer como voluntariado na Smart e deve ser acompanhada por enfermeiros e médicos do hospital. Também foi informado que não se deve fotografar crianças, o que explica a existência de poucos materiais públicos ao longo de oito anos. Essa regra deve ser mantida como princípio de proteção, e qualquer exceção deve exigir autorização formal, finalidade definida, armazenamento seguro e possibilidade de recusa sem prejuízo à família.

Os indicadores devem ser simples e éticos. Em vez de prometer resultados clínicos, o projeto pode começar medindo processo: número de visitas autorizadas; número de voluntários treinados; hospitais parceiros; quantidade de ações realizadas; tempo médio de visita; número de famílias que aceitaram interação; número de recusas respeitadas; relatos qualitativos autorizados; incidentes ou intercorrências; e avaliação da equipe hospitalar sobre adequação da ação. Em fase posterior, com aprovação ética, poderiam ser aplicadas escalas de experiência, satisfação ou bem-estar percebido, sem exposição indevida e sem transformar a criança em peça de marketing.

O treinamento deve incluir comunicação, ética, humanização, noções de infância, espiritualidade, biossegurança e postura institucional. A fala de 07 de fevereiro de 2026 já indicava que o treinamento pretendia formar representantes, embaixadores e treinadores do projeto (ALVES; PUPO, 2026). Essa estrutura pode ser convertida em módulos: identidade e propósito do Projeto Heróis; fundamentos de humanização; capelania e cuidado espiritual; atuação com crianças hospitalizadas; segurança e limites; comunicação com família; comunicação com equipe hospitalar; uso responsável de imagem; registro de visita; e cultura Smart aplicada ao servir. A cultura Smart, segundo a transcrição, costuma iniciar com louvor e oração, e trabalha bases como desbloqueio, visibilidade, comunicação e conversão (ALVES; PUPO, 2026). No contexto hospitalar, essas bases precisam ser reinterpretadas. Desbloqueio pode significar vencer medo de servir com preparo. Visibilidade deve significar transparência institucional, não exposição indevida. Comunicação deve significar escuta. Conversão, nesse ambiente, não deve ser venda nem proselitismo, mas transformação da presença em cuidado.

 

7 RESULTADOS DA ANÁLISE DOCUMENTAL

A análise documental permite apresentar seis achados principais. O primeiro é que o Projeto Heróis possui identidade definida, mas ainda em consolidação formal. Há nome, personagem, fundador, localidade associada a Uberlândia e propósito de acolhimento emocional de crianças hospitalizadas. O Canva fornece uma síntese institucional clara, e o Drive confirma que há organização de materiais, treinamentos e reuniões sobre o tema (CANVA, 2026; ALVES, 2026a; ALVES; PUPO, 2026).

O segundo achado é que a capelania aparece como eixo estruturante, mas precisa de delimitação operacional. Há materiais de capelania, pasta específica, brochura, página de curso e referência à formação nos Estados Unidos. No entanto, não foram localizados, no corpus acessado, um regimento próprio de capelania do Projeto Heróis, código de conduta espiritual, termo de consentimento religioso ou protocolo inter-religioso. Essa lacuna não diminui o valor do projeto; apenas indica a próxima peça do tabuleiro.

O terceiro achado é que a figura do Homem-Aranha é o principal dispositivo lúdico e comunicacional do projeto. A fantasia aparece como ponte entre sofrimento e esperança, mas o próprio Douglas afirma que não é o projeto inteiro, e sim o personagem que ajuda o Projeto Heróis (ALVES, 2026b). Essa consciência é valiosa porque permite construir equipe, manual, continuidade e formação de novos representantes sem descaracterizar a origem.

O quarto achado é que há intenção de expansão e diálogo institucional. Documentos mencionam atuação no hospital de Uberlândia, convite de Araguari e necessidade de artigo em formato acadêmico para enviar ao hospital (ALVES, 2026b). A reunião de 23 de junho também indica coleta de material do Instagram, WhatsApp, redes sociais e SBT, além de atualização de página institucional (ALVES, 2026a). Isso mostra que o projeto está buscando linguagem adequada para sair da memória oral e entrar em documento apresentável.

O quinto achado é que há informações históricas declaradas que enriquecem o dossiê, mas precisam de comprovação organizada. O fundador informou origem em 2018, média aproximada de uma ação mensal em Uberlândia, foco atual em crianças, atuação com famílias em tratamento oncológico e alcance estimado de cerca de 303 famílias. Essas informações foram incorporadas como declarações do proponente, não como dados auditados. A recomendação é criar uma planilha-mãe do Projeto Heróis, com data, local, autorização, responsáveis, voluntários, público estimado, tipo de ação e observações éticas.

O sexto achado é que faltam métricas próprias consolidadas. O design do Canva menciona “métricas & estratégias”, mas o conteúdo acessado não apresenta números auditáveis de visitas, crianças atendidas, hospitais, voluntários, horas de ação, depoimentos autorizados ou indicadores de percepção (CANVA, 2026). Sem esses dados, o artigo não pode afirmar alcance quantitativo como fato comprovado. A recomendação é iniciar imediatamente uma matriz de monitoramento simples, preservando sigilo e consentimento.

 

8 DISCUSSÃO

O Projeto Heróis se posiciona em uma fronteira fértil entre marketing social, capelania, voluntariado, ludicidade e humanização. Essa combinação é poderosa, mas delicada. Poderosa porque a comunicação do herói mobiliza emoção e pertencimento. Delicada porque hospitais exigem sobriedade ética. Toda ação que envolve crianças em tratamento deve ser desenhada com proteção reforçada. A criança não pode ser instrumento de autoridade, prova social ou conteúdo. Ela é sujeito de direitos.

Do ponto de vista da humanização, a iniciativa pode contribuir para tornar o ambiente hospitalar menos árido, desde que reconheça os limites da atuação voluntária. A presença de personagens em hospitais não deve disputar atenção com procedimentos, interromper rotinas assistenciais ou produzir barulho emocional incompatível com o setor. A boa intervenção é aquela que lê o ambiente. Ela percebe quando entrar, quando falar baixo, quando brincar, quando orar, quando sair e quando simplesmente agradecer.

Do ponto de vista da capelania, a principal virtude do projeto é integrar fé e serviço. Contudo, a fé que serve em hospital precisa vestir avental de humildade. Ela não promete cura. Não interpreta doença como culpa. Não constrange família. Não transforma sofrimento em espetáculo. Ela oferece presença, esperança e escuta. Quando a família compartilha a mesma fé e solicita oração, a capelania pode agir explicitamente. Quando não há solicitação, a espiritualidade pode permanecer no gesto silencioso. O amor não precisa sempre de microfone.

Do ponto de vista da comunicação, o Projeto Heróis possui ativos narrativos relevantes: o fundador, o personagem, a cidade de Uberlândia, a ligação com crianças em tratamento, a Smart Digital, a capelania e a imagem do herói vulnerável. No entanto, a comunicação institucional precisa migrar da copy para o relatório. A copy emociona. O relatório legitima. A apresentação encanta. O protocolo tranquiliza. O vídeo atrai atenção. O termo de autorização protege. O artigo científico não substitui a ação, mas transforma a ação em linguagem institucional.

A atualização proposta pelo proponente trouxe referências que podem enriquecer a discussão, mas também trouxe formulações que precisam ser corrigidas. Expressões como “redução drástica do cortisol”, “liberação maciça de neurotransmissores” e “estimulação de células de defesa” não devem ser apresentadas como efeitos do Projeto Heróis sem estudo próprio e sem fonte científica validada. A versão corrigida substitui tais afirmações por linguagem prudente: a ludicidade pode favorecer expressão, vínculo, acolhimento e bem-estar percebido, mas não se afirma benefício clínico mensurável da iniciativa nesta etapa.

A referência a estudos sobre super-heróis, imaginário e oncologia pediátrica também precisa de cuidado. A ideia é teoricamente pertinente, pois personagens heroicos podem funcionar como narrativa de enfrentamento e ressignificação. Contudo, a referência específica sugerida não foi confirmada com segurança suficiente nesta revisão. Por isso, o artigo discute o personagem como dispositivo simbólico com base nos próprios documentos e na literatura geral sobre brincar hospitalar, deixando a incorporação do estudo específico para uma versão posterior, mediante comprovação.

Do ponto de vista científico, o Projeto Heróis ainda está em fase documental preliminar. O material disponível permite descrever a proposta, seus valores e sua intenção. Não permite avaliar impacto. Para avançar, recomenda-se um estudo de caso com método claro. Em uma primeira etapa, o projeto pode realizar levantamento documental e entrevistas com voluntários e equipe gestora. Em etapa posterior, com autorização hospitalar e Comitê de Ética, pode avaliar percepção de familiares e profissionais de saúde. Uma etapa mais complexa poderia estudar indicadores de bem-estar percebido antes e depois da visita, mas isso exigiria instrumentos validados e extremo cuidado para não sobrecarregar crianças e famílias.

O elemento mais promissor localizado nos documentos é a frase conceitual de que Douglas não é o Projeto Heróis inteiro. Essa afirmação permite construir instituição. O fundador é chama, mas o projeto precisa virar lamparina com vidro, pavio, óleo e manutenção. Sem isso, apaga no vento da agenda. Com isso, ilumina corredores por mais tempo.

 

9 DIRETRIZES PROPOSTAS PARA A PRÓXIMA ETAPA

Com base na análise, propõem-se diretrizes práticas para profissionalização do Projeto Heróis. A primeira é a criação de um dossiê institucional com apresentação, histórico, objetivos, justificativa, público atendido, equipe, fotos autorizadas, links, registros de mídia e contatos oficiais. A segunda é a elaboração de um protocolo hospitalar, com versão de duas páginas para apresentação rápida e versão completa para parceria. A terceira é a criação de um programa de formação de embaixadores, com certificação interna e reciclagem semestral. A quarta é a organização de uma política de imagem e proteção de dados, em conformidade com a legislação brasileira e com a sensibilidade do ambiente hospitalar.

A quinta diretriz é a separação entre conteúdo público e registro interno. Nem toda visita precisa virar post. Algumas visitas devem virar apenas oração silenciosa, ata interna e gratidão. A sexta é a construção de indicadores. O projeto deve saber quantas ações realizou, onde, com quem, sob qual autorização e com qual percepção dos responsáveis. A sétima é a criação de um conselho consultivo mínimo, com pelo menos um profissional de saúde, um representante de capelania, um responsável jurídico ou administrativo e um responsável por comunicação. A oitava é a definição de parcerias com hospitais de Uberlândia e Araguari, por escrito, respeitando autonomia institucional. A nona é o desenvolvimento de materiais para famílias, com linguagem simples e sem promessa terapêutica. A décima é a atualização contínua deste artigo à medida que novas evidências forem reunidas.

Além dessas diretrizes, recomenda-se que as fontes científicas sugeridas na versão proposta sejam tratadas como uma lista de validação acadêmica. A equipe pode criar uma pasta “Fontes científicas validadas” contendo PDF, DOI, link institucional, resumo, ficha ABNT e trecho de aplicação ao Projeto Heróis. Essa prática evita a inclusão de referências frágeis e acelera a construção de uma versão final tecnicamente robusta.

O indicador mensal desejado pelo fundador, “resgatar o ânimo de uma criança por mês”, pode funcionar como meta simbólica de propósito, desde que não seja apresentado como resultado clínico. A formulação técnica sugerida é: realizar ao menos uma ação mensal de acolhimento lúdico autorizada, com registro interno e avaliação qualitativa da equipe responsável. Assim, o coração da frase é preservado, mas ganha roupa institucional.

 

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Projeto Heróis, conforme os documentos analisados e as informações complementares declaradas pelo proponente, é uma iniciativa social e humanitária que busca levar acolhimento emocional, esperança e alegria a crianças em tratamento hospitalar, utilizando a presença simbólica do Homem-Aranha e dialogando com princípios de capelania e humanização. O material localizado confirma a existência de treinamentos, pasta de capelania, design institucional, reuniões de estratégia e intenção de produzir artigo científico em normas técnicas. Também confirma a necessidade de reunir conteúdos de Instagram, redes sociais, WhatsApp e matéria do SBT, tarefa ainda pendente como comprovação anexada ao dossiê.

A principal contribuição deste artigo é organizar o que já existe e separar evidência de intenção. Existe evidência documental de que o projeto se define como social e humanitário, que atua por meio de personagem, que busca respeitar protocolos hospitalares, que pretende formar embaixadores e que está em fase de estruturação institucional. Existem também informações declaradas pelo fundador: origem em 2018, média aproximada de uma ação mensal em Uberlândia, cerca de 303 famílias alcançadas, atuação com famílias em tratamento oncológico, vinculação provisória ao CNPJ informado 15.271.451/0001-30, formação de capelania de dois dias, política de não fotografar crianças e acompanhamento por profissionais do hospital. Essas informações foram agregadas ao texto com a classificação correta: dados declarados, pendentes de anexos auditáveis.

Não existe, no material localizado, evidência quantitativa validada de impacto, lista consolidada de hospitais parceiros, autorização institucional formal anexada, avaliação de resultados ou estudo empírico próprio com crianças, famílias e profissionais. A honestidade sobre essas lacunas é parte da força do projeto. O que ainda não foi documentado não precisa ser inventado; precisa ser construído.

A bio do Professor Douglas Alves agrega ao Projeto Heróis uma base de gestão, comunicação, educação, fé e capelania. Essa trajetória pode favorecer a profissionalização da iniciativa, especialmente se a Smart Digital contribuir com organização, design, documentação, automação responsável e comunicação institucional. Contudo, o centro ético deve permanecer na criança e na família. O herói não é a fantasia. O herói é o cuidado que sabe a hora de aparecer e a hora de sair de cena.

Conclui-se que o Projeto Heróis possui potencial para se consolidar como tecnologia social de humanização hospitalar e capelania aplicada, desde que avance em governança, protocolos, indicadores, consentimento e validação institucional. A próxima etapa recomendada é transformar este artigo preliminar em dossiê completo para hospitais, acompanhado de manual de atuação, apresentação institucional, matriz de indicadores e anexos comprobatórios. Assim, a iniciativa poderá crescer sem perder a delicadeza que lhe dá sentido.

 

REFERÊNCIAS

ALVES, Douglas. AULA SRT MARKETING ESTRATÉGICO – 2026/06/23 06:25 GMT-03:00 – Anotações do Gemini. Documento interno disponível no Google Drive da Smart Digital. Uberlândia, 23 jun. 2026b.

ALVES, Douglas. Informações complementares declaradas sobre o Projeto Heróis. Atualização textual enviada pelo proponente. Uberlândia, 2026c.

ALVES, Douglas. Página oficial informada do Projeto Heróis. Disponível em: <https://professordouglasalves.com.br/projeto-herois/>. Acesso automático não validado nesta revisão.

ALVES, Douglas. Reel do Instagram indicado como fonte pública do Projeto Heróis. Instagram, 2024. Disponível em: <https://www.instagram.com/reel/DDjvfxZx52p/>. Acesso automático não validado nesta revisão.

ALVES, Douglas. Sala Individual Professor Douglas Alves – 2026/06/23 13:35 GMT-03:00 – Anotações do Gemini. Documento interno disponível no Google Drive da Smart Digital. Uberlândia, 23 jun. 2026a.

ALVES, Douglas. Smart pitch Black Friday 2025. Documento interno disponível no Google Drive da Smart Digital. Atualizado em 11 maio 2026. Uberlândia, 2025.

ALVES, Douglas; PUPO, Maria Rita. TREINAMENTO PROJETO HEROIS DOUGLAS E MARIA RITA – 07-02-2026. Transcrição de reunião digital. Documento interno disponível no Google Drive da Smart Digital. Uberlândia, 7 fev. 2026.

BRASIL. Lei n. 11.104, de 21 de março de 2005. Dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de brinquedotecas nas unidades de saúde que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 22 mar. 2005.

BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013.

CANVA. Projeto Heróis. Design institucional e de apresentação de projeto. 9 páginas. Conteúdo interno localizado na conta Canva vinculada ao proponente. Uberlândia, 2026.

KOENIG, Harold G. Religion, spirituality, and health: the research and clinical implications. ISRN Psychiatry, v. 2012, Article ID 278730, p. 1-33, 2012.

MITRE, Rosa Maria de Araújo; GOMES, Romeu. A promoção do brincar no contexto da hospitalização infantil como ação de saúde. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 147-154, 2004.

OMCC. Organização Mundial de Capelães e de Capelanias. Brochura: planejamento estratégico da capelania. Documento interno disponível no Google Drive. 2024.

PUCHALSKI, Christina M. et al. Improving the quality of spiritual care as a dimension of palliative care: the report of the Consensus Conference. Journal of Palliative Medicine, v. 12, n. 10, p. 885-904, 2009.

SMART. Modelo página smart: Curso de Capelania Cristã da Organização Mundial de Capelães e de Capelanias. Documento de planejamento interno disponível no Google Drive da Smart Digital. 2024.

 

APÊNDICE A – INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES DECLARADAS PELO PROPONENTE

  1. Data oficial de origem do Projeto Heróis: o projeto nasceu em 2018, após um grande desafio pessoal e profissional do fundador, associado à compreensão de que “quem reparte fica com a melhor parte”.
  2. Hospitais e públicos já atendidos: foi informado que o projeto atua no Hospital de Clínicas de Uberlândia e junto a famílias de crianças em tratamento oncológico.
  3. Frequência aproximada das ações: média declarada de uma ação por mês em Uberlândia.
  4. Alcance aproximado: cerca de 303 famílias, considerando a estimativa declarada pelo proponente e ainda pendente de planilha auditável.
  5. Estrutura jurídica: o projeto opera vinculado ao CNPJ informado 15.271.451/0001-30, com intenção de criação futura de instituto próprio.
  6. Formação em capelania: foi informada a existência de formação de dois dias, a ser anexada ao dossiê por meio de certificado, declaração ou documento equivalente.
  7. Fonte pública do SBT e página oficial: o proponente informou que há link público postado na página oficial do Projeto Heróis: https://professordouglasalves.com.br/projeto-herois/.
  8. Post oficial do Instagram: foi indicado como fonte pública o reel https://www.instagram.com/reel/DDjvfxZx52p/.
  9. URL oficial do projeto: https://professordouglasalves.com.br/projeto-herois/.
  10. Voluntariado e imagem: a participação deve ocorrer como voluntariado na Smart, com formação de capelania de dois dias. Foi informado que não se deve fotografar crianças, o que explica a existência de poucos materiais públicos nos oito anos de história.
  11. Acompanhamento profissional: as ações são realizadas com acompanhamento de enfermeiros e médicos do hospital, segundo informação declarada pelo proponente.
  12. Público prioritário: por enquanto, o projeto deseja atuar com crianças.
  13. Personagens e expansão: o personagem atual é o Homem-Aranha, mas há desejo de incluir outros voluntários e outros “super generosos heróis”.
  14. Nome institucional da capelania: Capelania Projeto Heróis.
  15. Indicador mensal desejado: resgatar o ânimo de uma criança por mês, sem transformar esse objetivo em promessa clínica ou terapêutica.

 

APÊNDICE B – MATRIZ DE VALIDAÇÃO DAS FONTES SUGERIDAS

  1. Revista Brasileira de Cancerologia/INCA sobre brinquedo no tratamento de crianças com câncer: não validada com segurança suficiente nesta etapa; decisão editorial: não incorporada como evidência principal. Solicitar PDF, DOI ou link institucional.
  2. Brinquedo Terapêutico Dramático em criança pré-escolar com câncer: referência sugerida, porém sem confirmação documental nesta revisão; decisão editorial: tema mantido como pendência e não usado para sustentar conclusão.
  3. Estudo de caso sobre super-heróis, oncologia pediátrica e Teoria do Imaginário de Gilbert Durand: não localizado com dados bibliográficos completos e confiáveis nesta etapa; decisão editorial: não incluído como fonte científica até comprovação.
  4. Afirmações neurobiológicas, como redução drástica de cortisol/adrenalina, liberação maciça de neurotransmissores e estimulação de células de defesa: não há evidência própria do Projeto Heróis nem fonte validada anexada; decisão editorial: afirmações removidas ou reescritas com cautela, sem aparecer como efeito comprovado.
  5. A.C.Camargo, UFMG e Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo como benchmarks: exemplos potencialmente pertinentes, mas sem documentação validada nesta revisão; decisão editorial: removidos da fundamentação principal, com solicitação de links oficiais.
  6. Página oficial e reel do Instagram do Projeto Heróis: links informados pelo proponente, mas não validados automaticamente nesta revisão; decisão editorial: registrados como fontes públicas informadas, com solicitação de prints datados e cópia da matéria do SBT.
 

 

APÊNDICE C – PENDÊNCIAS DOCUMENTAIS PARA VERSÃO FINAL

  1. Anexar documento de autorização ou declaração do Hospital de Clínicas de Uberlândia, se houver autorização formal disponível.
  2. Criar planilha de histórico das ações desde 2018, com data, local, equipe, responsável hospitalar, público estimado, observações e status de autorização.
  3. Anexar certificado, declaração ou carteira referente à formação em capelania de dois dias.
  4. Anexar prints datados da página oficial, do reel do Instagram e da matéria do SBT, incluindo nome do programa, data de exibição e autorização de uso, quando disponível.
  5. Elaborar manual de voluntários, termo de responsabilidade, política de imagem, política de proteção de dados e protocolo de atuação hospitalar.
  6. Definir se a linguagem pública da capelania será estritamente cristã ou institucionalmente inter-religiosa para facilitar pactuação com hospitais públicos e privados.
  7. Consolidar indicadores mensais simples: ações realizadas, crianças/famílias acolhidas, voluntários ativos, recusas respeitadas, intercorrências, relatos autorizados e avaliação da equipe hospitalar.
  8. Informar perfil oficial de LinkedIn ou página institucional correspondente, caso deva compor as fontes públicas do dossiê.
  9. Validar as fontes científicas sugeridas mediante PDF, DOI, periódico, volume, número, páginas e link institucional antes de inserir como referência definitiva.
  10. Transformar o indicador “resgatar o ânimo de uma criança por mês” em métrica operacional: realizar ao menos uma ação mensal autorizada, registrada e avaliada qualitativamente.

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